Ivan Ilitch era o segundo filho de três em sua família, foi o que mais deu orgulho aos seus pais por ser bom, inteligente e capaz. Foi cursar Direito e desde pequeno já almejava se colocar na alta sociedade. Durante a faculdade, cometeu atos que o incomodaram, mas como isso era aceito pela nata, passou a não dar mais atenção para isso.
Formado, consegue um emprego como juiz de instrução em outra cidade e assim começa a sua ascensão. Cercou-se de pessoas influentes e assim encontrou a sua futura esposa. Casado, conseguiu elevar-se socialmente e ao mesmo tempo aproveitar os primeiros anos de um relacionamento onde tudo é novo e maravilhoso, até o momento em que sua companheira engravidou e tudo começou a ruir. Vieram mais filhos e as discussões começaram a ficar frequentes em casa, logo arrumou uma válvula de escape e essa era o seu trabalho e um jogo chamado uíste. Recebeu uma proposta para trabalhar como promotor em outra cidade e mudou-se com a esposa e filhos, mas os problemas os seguiram e outros apareceram, perderam dois filhos e por mais que estivesse recebendo mais, sobrava pouco dinheiro, pois o custo de vida na nova cidade era mais alto.
Os anos foram passando e Ivan foi ficando cada vez mais experiente como promotor, recebia propostas de transferências, mas as recusava, até que um dia, a nomeação de um cargo de juiz presidente lhe era esperada, porém outra pessoa ocupou o cargo e Ivan perdeu as estribeiras, brigou com os colegas de trabalho e logo começou a ser tratado com indiferença, o pai não via obrigação em ajuda-lo, dívidas começaram a surgir e com os contínuos aborrecimentos da mulher enfrentou um difícil ano se sentindo injustiçado. Com o intuito de economizar dinheiro, pediu uma licença e foi para a casa de campo do cunhado, porém o tédio logo o fez voltar a cidade para pedir o cargo com uma remuneração melhor e depois de todos os arranjos, conseguiu e mudou-se para outra cidade sem a mulher e os filhos, a fim de arrumar o apartamento que morariam. Nesse processo, fica obcecado pelas atividades de decoração de sua moradia, tanto que sofre uma queda ao subir em uma escada, o acidente deixa uma dor passageira e uma mancha no local atingido.
Agora que retorna a alta sociedade e às suas atividades, começa a sentir um gosto estranho na boca, mau humor forte e uma dor que logo o afasta do seu trabalho. Ao passar dos dias, suas dores foram piorando, nenhum médico descobre o que ele tem e a hipocondria o domina.
Assim começa o pior sofrimento do personagem principal, além das dores físicas, começa a sentir as dores morais, logo percebe que teve uma vida vazia e superficial, mas tenta ignorar esse pensamento tentando se convencer que teve uma vida boa, porém quanto mais reflete sobre a sua vida, mais se sente um embuste por toda as coisas que fez e que foi igual aos que o cercam agora e os odeia profundamente, exceto pelo seu copeiro, Guerrássim, que nos últimos momentos de sua vida se tornou um amigo que lhe transmitiu humanidade e um pouco de paz para lidar com seus problemas morais antes de ter o seu fim.
Desde o seu primeiro capítulo que descreve o funeral de Ivan, até a sua morte, o autor nos faz refletir sobre a nossa ignorância e ambição, de como nossas escolhas muitas vezes são feitas por causa de aparências e aceitação, que nos levam a lugares que não queremos, mas somos forçados a nos adaptar para poder manter aquilo, porém uma hora o fim chega (a morte) e não há como fugir do tormento de ter sido uma mentira.